Os desacontecimentos de Eliane Brum

Foto: Imprensa Feira do Livro

Foto: Imprensa Feira do Livro

“Toda vida é extraordinária.” Foi com essa frase que a jornalista, documentarista e escritora Eliane Brum chamou minha atenção durante uma entrevista antes de sua palestra no dia 14 de junho, na 15ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Tímida, ela disse que a escrita foi a voz que encontrou para se conectar com o mundo e ainda revelou que precisou de muito esforço para se acostumar a falar em público. “A palavra escrita me salvou”, declara.

Ao falar da carreira de jornalista, na qual já tem mais de 20 anos de experiência, Eliane Brum me fez, além de não desligar os ouvidos de suas respostas, refletir sobre a carreira que escolhi seguir há alguns anos. Eliane se sobressai entre os muitos jornalistas “famosos” da nossa época por sua sensibilidade e pelo humanismo que ficam mais do que comprovados em sua fala e em sua escrita. Ela, que se dispôs a escrever sobre “desacontecimentos”, nos prova que jornalismo nem sempre é notícia ruim.Pelo contrário. “Os desacontecimentos são notícias que não são notícias para a imprensa tradicional”, explica.

Para ela o desafio constante dos jornalistas é manter o “olhar de espanto” sobre tudo e todos à sua frente. “Não existem vidas comuns”, afirma. Há algum tempo escritora, Eliane Brum falou sobre algumas diferenças entre o jornalismo e a literatura em sua vida. “Jornalismo é despir-se de si mesmo. É isso que diferencia a reportagem de outras narrativas. Por outro lado, tem realidades que só a ficção suporta.”

Ainda falando sobre sua carreira, mas enveredando um pouco mais para o lado pessoal da sua profissão, Eliane Brum abordou questões como o tempo e a liberdade. “A máxima liberdade está ligada ao mínimo de dinheiro. Quanto mais dinheiro você precisa para viver, menos livre você é”, comentou fazendo referência à decisão de deixar as redações e a “carteira assinada” de lado, optando por uma liberdade maior de decidir o que fazer, quais matérias escrever, quais projetos tocar em frente. “Escolhi viver meu próprio tempo, sob meus próprios termos. E não mais o tempo dos outros.” 

Segundo Eliane Brum, a frase que ouviu de uma entrevistada durante a produção de uma longa reportagem sobre a morte, na qual passou 115 dias acompanhando uma mulher com câncer incurável, foi uma das coisas que a levaram a mudar seu estilo de vida. “No meu primeiro encontro com essa mulher ela disse algo que me fez repensar a questão do tempo. Ela disse ‘quando eu tive tempo descobri que meu tempo tinha acabado'”. De acordo com a jornalista, sua entrevistada se referia a um (mau) hábito que muitos de nós temos. Decidimos primeiro “ganhar a vida” para depois vivê-la, sem se dar conta de que ai pode ser tarde demais. “A partir disso, percebi que minha vida é aqui e agora. Para viver o presente eu preciso querer estar aqui e dar sentido para isso.”

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Já no Salão de Ideias durante a programação da Feira do Livro, Eliane Brum encerrou sua participação lendo “Menina Quebrada”, uma crônica que escreveu para sua afilhada, deixando eu e quase toda a plateia com os olhos cheios de lágrimas. Vale a pena a leitura!

 

 

Kathryn Gallagher: você ainda vai ouvir falar dela

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Ela tem as sobrancelhas do pai (Peter Gallagher) e poderíamos dizer que o talento também é hereditário.

Dona de uma voz poderosíssima, Kathryn ainda não é tão conhecida fora de LA – apesar de ter três de suas músicas na trilha sonora do filme italiano “Someday This Pain Will Be Useful to You”. Aqui no Brasil posso dizer que não se fala muito sobre o incrível trabalho dela, pelo menos não que eu tenha visto (e olha que já procurei bastante).

Foi por isso que eu, que virei fã há uns dois anos (ou mais), quando a ouvi pela primeira vez, resolvi fazer um post dedicado a essa cantora que me encanta não só pela voz incrível e pelas belas letras que escreve, mas também porque me faz dar altas risadas com seus tweets e suas fotos no Instagram.

E claro, de que adiantaria simplesmente falar sobre ela e não com ela?

Por isso, mais do pesquisar sobre Kathryn Gallagher, resolvi fazer uma entrevista com ela que, gentilmente, me respondeu por e-mail. (Não sei nem como agradecer! :)))

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Francine Estevão: Você é estudante de música. Muitos nessa área não chegaram a fazer uma faculdade para trabalhar com isso. Por que você acredita ser importante estudar sobre música? De que forma os estudos mudaram sua forma de ver a música?

Kathryn Gallagher: Ter um entendimento técnico da música tem sido muito útil, principalmente por tornar mais fácil minha comunicação com outros músicos. No entanto, acho que o tipo mais importante de educação que uma pessoa pode ter é a auto-descoberta. Acordar todo dia disponível para aprender novas coisas, ler livros, conversar com pessoas novas, compartilhar histórias e viajar. Essa é uma parte importante do que eu faço como música, tanto quanto o lado técnico das coisas. Então, eu acho que, na verdade, é uma questão de equilíbrio. A melhor parte de ser uma estudante de música, sem dúvida, é conhecer novos músicos incríveis para tocar e sair com eles!

Francine Estevão: O quanto seus pais te influenciaram?

Kathryn Gallagher: Meu pai e minha mãe são ambos muito criativos, apaixonados e pessoas que trabalham duro, então, mais do que qualquer outra coisa, eles me ensinaram a importância dessas características. E eles têm dado muito apoio à minha música.  Eles são uma luz positiva na minha vida, eu não seria capaz de fazer isso sem eles. Eles também fizeram de mim uma pessoa, então isso foi uma grande coisa!

Francine Estevão: Você escreveu algumas músicas para filmes e lança muitas das suas canções na internet. Quando teremos um CD da Kathryn Gallagher?

Kathryn Gallagher: Sim!!!! Eu estou trabalhando nisso agora. Espero começar a gravar o meu disco de estreia neste verão (nos Estados Unidos). Eu estou tão feliz ! Estou ansiosa para vocês ouvirem!

Francine Estevão: Você tem algum plano de fazer uma turnê internacional? (Digo, Brasil???? rsrs)

Kathryn Gallagher: Sem dúvida eu irei ao Brasil um dia!! Eu não sei quando, mas eu estou tão animada!

Francine Estevão: Se você pudesse escolher somente um, qual seria: cantar, tocar violão ou compor?

Kathryn Gallagher: Eu acho que seria escrever. Essa sempre foi a única coisa que me deu o maior consolo. Sem escrever, eu não sei como iria processar meus pensamentos.

Francine Estevão: Você escreveu no seu Twitter “Escrevi 3 músicas essa manhã. Nenhuma delas sobre estar de coração partido”. Como é o seu processo para compor?

Kathryn Gallagher: Ah sim! Compor é algo que começou muito naturalmente para mim. Eu tenho feito músicas desde que eu era uma criança. Mas foi depois dos meus 11 anos que eu realmente comecei a escrever e conforme eu fui ficando mais velha, isso se tornou uma parte integrante da minha vida. Eu sempre começo com algo que eu quero dizer, um sentimento que eu quero expressar. Então eu tento e me lembro com o que esse sentimento parece, como ele soa, como ele é sentido e eu simplesmente começo a escrever. Melodia e música vêm de mãos dadas, em geral.

Francine Estevão: O que te inspira?

Kathryn Gallagher: Tudo. Sou uma compositora muito autobiográfica. Qualquer experiência, qualquer coisa na minha mente, qualquer conversa. Se isso ficar persistindo na minha cabeça eu provavelmente vou escrever sobre isso.

Francine Estevão: Um cantor e uma música que você mais gosta?

Kathryn Gallagher: Isso é muito difícil. Uma música favorita seria “I can’t make you love me – Bonnie Raitt”. NO ENTANTO, Janis Joplin é minha favorita, assim como Bob Dylan. E de artistas contemporâneos eu sou uma grande fã de Taylor Swift, Bleachers e Jesse Thomas.

Então, é isso! Espero que vocês possam conhecer um pouquinho mais do trabalho dessa cantora e se apaixonar pela voz dela tanto quanto eu me apaixonei desde que a ouvi pela primeira vez.

As músicas de Kathryn Gallagher estão disponíveis no iTunes. Você também pode conferir alguns de seus sons e vídeos no site dela e no Youtube. E se quiser acompanhar mais, siga ela nas redes sociais Twitter (@kathryng), Facebook e Instagram (@kathryngallagher).

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(Também preciso agradecer a Roh Dover por ter corrigido meu inglês durante a troca de e-mails com a KG. Graças não passei vergonha falando algum absurdo! rsrs Valeu amiga!)

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Francine Estevão: You’re music student. Lots of musicians didn’t go to college to work with music. Why do you think it’s important to study about music? How this change the way you see the music now?

Kathryn Gallagher: Getting a technical understanding of music has been really helpful, mostly in making it easier to communicate with other musicians. However, I think the most important kind of education a person can get is that of self discovery, waking up every day being open and available to learn new things, reading books, talking to new people, exchanging stories and traveling. That’s so much a part of what I do as a musician as well as the technical side of things, so I really think it’s about balance. The best part of being a music student, without a doubt, was meeting amazing fellow musicians to jam and hang with!

FE: How much did your parents influence you?

KG: My father and mother both are very creative, passionate and hard working people. So more than anything they’ve passed on the importance of those traits to me. And they’ve been so supportive of me and my music, they’re such a positive light in my life, I wouldn’t be able to do this without them. Also they made me a person, so that was a big thing they did!

FE: You had made some songs for movies. And you release a lot of your songs in internet. When we will be able to buy an Kathryn’s album?

KG: Yes!!!! I’m working on it right now, I will hopefully begin recording my debut record this summer, I’m so stoked!! I can’t wait for you to hear!

FE: Do you make any plans for an international tour? (I mean BRAZIL??? lol)

KG: I will without a doubt be in Brazil one day!! I don’t know when but I am so excited!!

FE: If you could choose just one, it would be: sing, play guitar or compose?

KG: I think it would be writing. That’s always been the thing that has given me the most solace. Without writing I don’t know how I would process my thoughts.

FE: You wrote on twitter “Have written 3 songs this morning. None of them are about being heartbroken.” How is the process of writing a song for you?

KG: Ah yes! Songwriting is something that began very naturally for me. I’ve been making songs up since I was a toddler. But it wasn’t until I was 11 that I really started writing and as I got older it just became such an integral part of my life. I always start with something I want to say, a feeling I want to express. Then I try and remember what that feeling looks like, what it sounds like, what it feels like and I just start writing. Melody and music comes hand in hand generally.

FE: What inspires you?

KG: Everything. I am a very autobiographical writer. Any experience, anything on my mind, any conversation. If it’s been lingering in my mind I will probably write about it.

FE: One singer and one song that you love most?

KG: This is very difficult. Ultimate favorite song would be I can’t make you love me – Bonnie raitt. HOWEVER, Janis Joplin is my ultimate favorite, Bon Dylan as well. And contemporary artists I’m a huge fan of Taylor Swift, Bleachers and Jesse Thomas.

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Entrevista Thalita Rebouças

A escritora infanto-juvenil Thalita Rebouças foi a autora homenageada da 12ª edição da Feira do Livro de Ribeirão Preto e esteve na cidade nesta sexta-feira (25/05), para participar do evento.

Eu a entrevistei por telefone, para a Rádio BandNews FM Ribeirão Preto, e a escritora disse ter adorado a homenagem e estar ansiosa para encontrar os fãs.

“Eu já tenho o maior carinho por Ribeirão, está já é a terceira vez que participo da Feira do Livro. Ser homenageada do jeito que foi feita a escolha, por votação popular via internet, então foi muito bacana os jovens de Ribeirão terem escolhido meu nome, então eu estou muito feliz porque tenho o maior carinho por qualquer evento que promova a literatura e o hábito da leitura.”

Segundo Thalita Rebouças, falar que os jovens, em sua maioria não gostam de ler, já é coisa do passado. “Isso acontecia há 12 anos, quando comecei a escrever. A verdade é que os adolescentes e pré-adolescentes estão lendo cada vez mais. No começo perguntava para 30 pessoas numa turma em uma sala de aula quem gostava de ler e três levantavam a mão. Agora, quem não gosta de ler tem vergonha disso e então 25 levantam a mão pra dizer que gostam de ler.”

De acordo com a escritora, sagas como Harry Potter, por exemplo, foram as motivadoras para essa mudança no perfil do jovem leitor. “Harry Potter tem muito a ver com isso. E cada vez mais autores estarem escrevendo para esse público juvenil, também.”

E o público infanto-juvenil não é fácil. Thalita ressalta que nessa fase, eles não são nem crianças nem adultos, então são delicados e exigentes,

Então, como será que ela faz para agradar os milhões de fãs que tem espalhados no Brasil e em Portugal (onde sete de seus livros já foram publicados)? “Eu acho que o que meus livros têm são coisas que acontecem na vida deles. São histórias que fazem rir e que não querem passar nenhuma lição de moral. Eu quero fazer, com meus livros, que a partir do humor, do riso, que eles pensem, reflitam e tirem as próprias conclusões. Eu não quero dizer o que é certo o que é errado, eu não quero ser uma tia chata ou preocupada. Eu só quero fazer companhia para eles e aproximar eles do hábito da leitura. E tem dado certo, graças a Deus!”

Uma forma de aproximar ainda mais a leitura dos jovens, é o projeto “Ler é bacana” que a escritora criou há mais ou menos sete anos. O projeto “nasceu como uma resposta que eu arrumei para dar as pessoas que falavam pra mim ‘ eu não gosto de ler’ e eu perguntava por que e eles falavam ‘ah ler é chato’. Na verdade ler não é chato, é o oposto de chato, ler é bacana”.

Ela inclusive trouxe para a cidade vários broches com o lema da campanha para distribuir entre o público dos três eventos que ela participou na cidade. Uma conferência pela manhã, uma salão de idéias a tarde e uma bate-papo na Fnac do Ribeirão Shopping, a noite.

E com 37 anos, Thalita já não é mais uma adolescente (embora tenha o jeitinho alegre de uma). Simpática, ela responde como consegue escrever para jovens como se fosse um deles. “Eu penso no que eu gostaria de ler se eu tivesse 13, 14 anos. Então eu sento no computador, viro uma menina de 13, 14 anos e ai não fico me julgando. A mulher, jornalista, de 37 anos revisa, mas é a menina de 13, 14 que escreve, que dá asas a imaginação. Para mim é muito simples, flui naturalmente o texto na hora que eu to escrevendo.”

Ela explica também de onde vem a marca quase registrada de sua carreira, o “Fala Sério”. “O Fala Sério veio não só por causa da gíria que é tão popular, mas veio pela coisa do falar seriamente. Todos os textos “Fala Sério” têm momentos em que os personagens conversam seriamente, têm momentos emocionantes, têm momentos que fazem pensar. Então foi uma maneira de usar tanto a coisa gaiata da gíria quanto o lado sério da coisa.”

E para fechar a entrevista à BandNews FM Ribeirão Preto com chave de ouro, Thalita Rebouças falou sobre a responsabilidade de escrever para o público infanto-juvenil. “É uma responsabilidade grande porque a minha função, a minha missão, é formar leitores. O que eu quero mesmo com meus livros é fazer com que o adolescente perca a implicância com o livro e vire um adulto leitor porque quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor se comunica e quando crescer mais vai ficar melhor no mercado de trabalho, numa entrevista de trabalho, de emprego. Então, o que eu quero é aproximar o jovem do hábito da  leitura. Pra mim, a minha responsabilidade é essa. A partir de mim, eles podem ir para Dostoievski, Kafka, Shakespeare, Jorge Amado, Saramago, Vargas Llosa…não importa. O que eu quero é que eles, a partir de mim, se interessem pelo hábito de ler.”

 

Entrevista: Francine Estevão (para BandNews FM Ribeirão Preto)

Fotos: Maju Raz

Entrevista Laura Jackson

Para quem ainda não sabe, eu e mais 3 amigas criamos um Clube do Livro – “Sociedade do Livro” e a partir de janeiro do ano que vem, teremos reuniões mensais para discutir, uma vez por mês, um livro que será lido por todos que quiserem participar do clube.

Primeiro, estou mega feliz de ter pensado nisso e por ter 3 amigas loucas que embarcaram com tudo comigo nessa.

Desde que assisti “O Clube de Leitura de Jane Austen” (que por sinal é um ótimo filme) tenho vontade de participar de um clube do livro. E melhor do que fazer parte de um é criar o meu próprio clube do livro. Então, estou mega feliz.

Você pode acompanhar o Clube Sociedade do Livro pelo twitter, facebook e blog.

E, para dar o start no blog, tive a ideia de entrevistar a biógrafa Laura Jackson. Há tempos mantemos certo contato pelo twitter, desde que começamos nos seguir por causa de Bon Jovi. E, qual não foi minha surpresa, quando ela de cara aceitou dar a entrevista por e-mail? Fiquei super feliz.

Caramba, era a primeira vez que eu entrevistava alguém que já tivesse tido qualquer contato com algum Bon Jovi. E foi exatamente isso que senti ao ler as respostas que ela deu à entrevista que fiz com ela para o blog da Sociedade do Livro.

Mas, claro, não podia deixar de reproduzir aqui a entrevista com a simpaticissima Laura Jackson, que vai lançar seu primeiro livro no Brasil ano que vem, então aguardem!

Confiram:

(Agradecimentos especiais: Juh Garzon pela help na tradução)

Sociedade do Livro: Laura, como é a produção de uma biografia? Além do contato com a celebridade sobre quem você está escrevendo, quais são as outras fontes que não podem deixar de ser ouvidas?

Laura Jackson: Quando se escreve a biografia de alguém, um monte de informações tem de ser reunidas a partir de uma variedade de fontes e, claro, entrevistar pessoas que sabiam que a estrela é uma parte vital desse processo. É bom entrevistar celebridades, mas informações de pessoas que cresceram com a estrela, trabalharam com, ou para, a estrela é inestimável, etc – muitas vezes, essas pessoas fornecem a melhor informação.

SL: Quais as principais dificuldades em se publicar uma biografia? Tem muita gente que reclama depois que a obra é publicada?

LJ: Não é que existam tantas dificuldades em escrever uma biografia – mas é muito importante que todas as informações no livro sejam precisas e venham de fontes confiáveis. Felizmente, até agora eu tive a sorte de ninguém reclamar.

SL: Quanto tempo você leva para escrever uma biografia?

LJ: Levo um ano por livro. A pesquisa é muito intensa e exige muito do meu tempo. Eu tenho o costume de trabalhar 16 horas por dia, 7 dias por semana em alguns livros para cumprir prazos.

SL: Sobre qual celebridade você mais gostou de escrever? Por quê?

LJ: Essa é uma pergunta intrigante. Confesso que sempre que eu embarco em escrever a biografia de alguém, porque eu ‘habito’ o mundo deles por um ano, eu me aproximo do meu assunto- no sentido literário. Há casos em que eu comecei a biografia de alguém, só para acabar com uma admiração especial pela pessoa por causa do que eu aprendi sobre eles durante a pesquisa. Jon Bon Jovi e Kiefer Sutherland, são apenas dois que eu
poderia mencionar.

SL: Sobre quem você gostaria de escrever, mas ainda não teve oportunidade?

LJ: Uma biografia do Richie Sambora me interessa. Eu me pergunto se algum dia eu poderia escrever uma biografia de Michael Jackson. E eu ainda tenho que escrever uma biografia de algum Beatle.

SL: Como fã de Bon Jovi, não posso deixar de perguntar: você esteve em contato com o Jon para compor a biografia dele? Como ele é longe das lentes?

LJ: Bon Jovi estava em uma turnê mundial por muito tempo quando eu escrevi biografia de Jon. Eu devo dizer, que tive o prazer de entrevistar Richie Sambora para um livro anos atrás e ele é um cara extremamente amável!
Eu tenho escrito há 20 anos e entrevistei centenas de pessoas, incluindo muitas estrelas do palco e da tela; e muitos deles são tão legais – Pierce Brosnan, Joe Def Leppard, Elliott, Paul Rodgers, Sir Tim Rice, Benny Andersson, Bjorn Ulvaeus, Bruce Dickinson do Iron Maiden, Dame Judy Dench, Joe Satriani, Sir Richard Branson, Tony Iommi do Black Sabbath, etc.

SL: Seus livros já foram publicados em várias línguas e em vários países. Se não me engano, não há nada publicado no Brasil. Você pretende, tem propostas, para trazer os seus livros para cá?

LJ: Escrevi 18 livros que foram publicados em 14 idiomas. Eu fico emocionada ao dizer que meu livro Freddie Mercury – A Biografia será publicado no Brasil em Português, em Junho de 2012. Negócios de tradução sempre me animam. Eu os amo!

SL: Como você se tornou uma escritora? E por que biografias?

LJ: Eu fui secretária por 12 anos. Em uma tarde de inverno, em meados 1980, um álbum dos Rolling Stones caiu de um armário alto e me bateu na cabeça. Eu estava fascinada por um rosto dentro da capa do álbum – era Brian Jones. Comecei a ler sobre ele. Eu não acreditei em toda a comoção e comecei a pesquisar a sua vida. Levei seis anos para pesquisar e escrever sua biografia, porque eu ainda estava trabalhando no escritório na época e levantando às quatro horas para escrever. Na verdade, eu primeiro
escrevi o livro e, em seguida, procurei por uma editora, que não é a maneira correta de fazê-lo. Mas eu assinei com eles em 1992 e minha carreira decolou de lá pra cá. Eu fui a primeira pessoa a revelar a verdade da vida extraordinária de Brian Jones e a primeira a dar o nome de quem o assassinou.

SL: Você gostaria de escrever um livro de algum outro gênero? Qual?

LJ: Eu amo escrever e talvez um dia eu escreva romances também.

SL: Você gostaria que escrevessem uma biografia sobre você ou até mesmo, você escreveria uma autobiografia?

LJ: Não há absolutamente nada interessante sobre mim para ser escrito!!!!

SL: Qual a dica, o conselho, que você dá a quem quer escrever uma biografia?

LJ: Meu conselho para os futuros biógrafos é estar preparado para um trabalho muito longo, árduo. É um mundo difícil de entrar, que está se tornando ainda mais difícil por causa das novas leis de privacidade. Exige uma enorme, quase egoísta, dedicação e nem todos tem o estilo de vida que acomoda ser escrito. No entanto, ser um biógrafo é uma vida muito gratificante e interessante.

 

Confira o site de Laura Jackson: http://www.laurajacksonbooks.com/

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Check out the English version of the interview here:

Sociedade do Livro: How is the production of a biography? In addition to the contact with the celebrity you’re writing about, who are the other people that can not fail to be heard?

Laura Jackson: When writing someone’s biography, a lot of information has to be drawn together from a variety of sources and, of course, interviewing people who knew the star is a vital part of that process. It is good to interview fellow celebrities but information from people who grew up with the star, worked with, or for, the star etc. is invaluable – often times, these people provide the best information.

SL: What are the main difficulties in publishing a biography? There are a lot of people who complain after the book is published?

LJ: It is not so much that there are difficulties in writing a biography – rather, it is so very important that all information in the book is accurate and comes from reliable sources. Mercifully, so far I have been fortunate enough that no one has complained.

SL: How long does it take from writing the book until it’s finally published?

LJ: It takes me one year, per book. Research is very intensive and demanding of my time. I have been known to work 16 hours a day, 7 days a week on some books to meet deadlines.

SL: Which celebrity did you enjoyed the most to write about? Why?

LJ: That is an intriguing question. I confess that whenever I embark on writing someone’s biography, because I ‘inhabit’ their world for a year, I get close to my subject in a literary sense. It’s been the case that I have started a biography of someone, only to end up with a special admiration for the person because of what I learned about them during research. Jon Bon Jovi and Kiefer Sutherland, are just two I could mention.
SL: About who would you like to write about, but haven’t had the opportunity, yet?

LJ: A Richie Sambora biography interests me. I wonder if someday I might write a Michael Jackson biography. And I have yet to write a Beatle-related biography.
SL: As a Bon Jovi fan I can’t fail to ask: did you got in contact with Jon himself when you wrote his biography? How is he away from the stages and away from the others of the band?

LJ: Bon Jovi was on a long world tour when I wrote Jon’s biography. I must say, I had the pleasure of interviewing Richie Sambora for a book years ago and he is an extremely lovely guy!
I’ve been writing for 20 years now and have interviewed hundreds of people, including many stars of the stage and screen and so many of them are so nice – Pierce Brosnan, Def Leppard’s Joe Elliott, Paul Rodgers, Sir Tim Rice, Benny Andersson, Bjorn Ulvaeus, Iron Maiden’s Bruce Dickinson, Dame Judy Dench, Joe Satriani, Sir Richard Branson, Black Sabbath’s Tony Iommi etc.

SL: Your books have been published in several languages and countries. But, if I´m not wrong, not in Brazil. Do you want, is there a proposal to bring the books here?

LJ: (I’ve written 18 books which are published in 14 languages. I am thrilled to say that my book Freddie Mercury The Biography will be published in Brazil in Portuguese in June 2012. Translation deals always excite. I love them!
SL: How did you become a writer? And why biographies?

LJ: I was a legal secretary for 12 years. One wintry afternoon in mid 1980s a Rolling Stones album fell from a tall cupboard and hit me on the head. I was fascinated by a face inside the album cover – it was Brian Jones. I began reading about him. I did not believe the hype and began to research his life. It took me 6 years to research and write his biography, because I was still working at the office at the time and getting up at 4am to write. I actually wrote the book first, then looked for a publisher, which is not the correct way to do it. But I was signed in 1992 and my career took off from there. I was the first person to reveal the truth of Brian Jones’s extraordinary life and the first to name who murdered him.

SL: Do you want to write a book from any other genre?

LJ: I do love writing and perhaps one day will write novels, too.

SL: Would you like someone to write a biography about you or even,
would you like to write an autobiography?

LJ: There is absolutely nothing interesting about me to remotely write about!!!!

SL: What advice can you give for the ones who want to write a biography?

LJ: My advice to would-be biographers is to be prepared for a very long, hard slog. It’s a tough world to break into, being made even tougher by increasing new privacy laws. It requires an enormous, almost selfish, dedication and not everyone has the lifestyle that accommodates writing. However, being a biographer is a very rewarding and interesting life.