Um brinde às mudanças

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Estamos tão acostumados a fazer as coisas sempre do mesmo jeito, a viver dentro da nossa zona de conforto, que às vezes nem nos reconhecemos mais em nós mesmos, ainda assim, seguimos repetindo velhos hábitos no piloto automático. Estamos tão confortáveis que já nem sabemos se aquilo ainda faz sentido para nós e não nos questionamos mais porquê fazemos assim. Talvez porque tenhamos medo da resposta. Talvez porque no fundo temos medo de descobrir que muito do que fazemos já não significa nada para quem nós somos hoje. Foi importante em algum momento, já não é mais. E ai a gente se depara com um vazio sem saber como preenchê-lo. Mudar dá um medo…

É engraçado ver como as pessoas reagem às mudanças. Parece que incomoda o outro quando você muda. As pessoas estranham. “Você não era assim”, “está diferente”, “mudou de repente”. Que bom que eu não era assim, fico feliz em estar diferente porque, deixa eu te contar um segredo, eu não estava feliz! E não, talvez não tenha sido tão de repente assim, afinal só eu sei como andavam as coisas aqui dentro antes de as mudanças se tornarem visíveis.

A verdade é que mudar faz parte da arte de viver. É muitas vezes algo natural ao longo do processo de crescimento e de autoconhecimento. Outras vezes, é estimulada por algum acontecimento…afinal, a vida acontece para todos, mais cedo ou mais tarde. E então você percebe que aquele você de ontem, aqueles hábitos, gostos e costumes, já não representam mais quem você é hoje. Simplesmente já não fazem mais sentido.

O segredo é não ter medo e estar aberto. Encarar as mudanças como possibilidades, como oportunidades que temos de deixar pra trás tudo o que já não nos faz mais bem e substituir por algo que esteja em sintonia com quem nós somos agora. Mudanças são nossa chance de sermos fieis à nossa verdade interior, de sermos simplesmente nós.

Então perde o medo de mudar, deixa de dar satisfação para os outros dos porquês. Descubra coisas novas que te façam feliz e que substituam o que já não se encaixa mais na sua vida. Deixa a mudança acontecer, não resiste não. Muda de roupa, a cor do cabelo, de cidade, de trabalho, de gostos, de hábitos, muda de opinião, de ponto de vista, de direção, muda o jeito de fazer as coisas, de sorrir, de olhar, de falar e de andar, muda rápido ou devagar, mas muda e celebra a mudança como quem ganha um presente da vida. Cheers!

 

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Escrevendo silêncios

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Em meus momentos de silêncio e reclusão,

me apego às palavras.

Porque quase todo silêncio que se faz por fora

esconde um turbilhão preso do lado de dentro

que grita, silenciosamente, pra sair.

Escrevo pra tentar entender,

pra me aproximar de mim.

Pra não me perder,

pra não me esquecer.

Escrevo pra acalmar a mente e o coração.

Pra me libertar,

pra não ir à loucura.

Escrevo pra preencher o vazio.

Escrevo, escrevo e escrevo até cansar a mão

e saciar a alma

e acalmar a dor.

Desista aos poucos…

il_570xN.743774706_q44zDesista sabendo que você tentou de tudo. Que você foi até onde o seu coração pediu para que você fosse. E se no meio do caminho der vontade de desistir de desistir, vá em frente, tente de novo, nem que seja só mais uma vez. Tente até onde você achar que vale a pena. Enquanto ainda houver algo por dizer ou por fazer, arrisque-se. Seja intensa como poucos iguais a você sabem ser. Busque tudo aquilo que você quer independente do que vão dizer. Deixe que falem, afinal você é mesmo ridícula, louca, maluca, sem noção. Mas poucos são. Nem todos tem coragem de se expor até não aguentar mais. Eles não enxergam e não entendem a grandiosidade da sua bondade, dos seus sentimentos, do seu coração. E só então, quando você – e mais ninguém – perceber que não dá mais, desista e fique em paz. Você sabe que entregou e tentou o seu melhor até o fim!

 

Amor de ficção

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Ela não acreditava em amor. Ou ao menos fingia – inclusive para si mesma – que não. A verdade é que vivia em um misto de conformismo e esperança (esta última muito bem escondida em um canto fundo e escuro dentro do peito, lá onde – quase – ninguém tinha acesso).

De um lado ela sabia que não haveria ninguém capaz de lhe tirar o fôlego, de lhe transportar do mundo objetivo e lógico da razão, onde as coisas são preto no branco. Ela simplesmente não acreditava. Não entendia como um “simples” sentimento tinha tanto poder sobre uma pessoa, ou duas no caso.

Os filmes, os livros, as músicas, tudo que ela via, lia ou ouvia parecia colocar o amor como a coisa mais importante do mundo. Bullshit. Há muito mais do que isso pra se fazer. Cética sempre achou que era tudo pura ficção, a vida era outra coisa. A realidade era muito mais prática do que isso. Seu olhar, seus esforços e seus passos a levavam sempre em outra direção.

Ela se via, anos adiante, sendo aquilo que sempre batalhou para ser. Uma grande profissional, num pequeno e silencioso apartamento, em uma grande cidade, só ela, uma estante recheada de livros policiais e seus três gatos.

Por outro lado, no silêncio interno que sempre recusou escutar havia, bem ocultado pela carranca da objetividade, a esperança de um peito sobre o qual se recostar, de uma mão pra segurar, de um olhar de cumplicidade. De alguém que fosse companhia e a fizesse acreditar naquilo que ela mais temia.

Não era história. O amor existia e era sim a coisa mais importante do mundo.

Parada em frente ao cômodo repleto de espaço, seu olhar vazio vagava pelas prateleiras enquanto ela se lembrava.

Ele chegou sem avisar. Como uma brisa que invade a janela sem pedir licença. Súbito. Fez tudo ganhar novo sentido, novas cores. O mundo com amor é muito mais subjetivo. Não há palavra capaz de ser definida pelo dicionário, tudo é muito mais. Mil memórias, mil histórias.

E então o apartamento pequeno virou uma casa de madeira. A cidade grande se transformou em “à beira mar”. E o silêncio eles pretendiam preencher com as risadas de uma família, pai, mãe, filho, filhas.

Olhou para as caixas cheias e os armários vazios.

Agora já tanto faz. Ela sabia. O amor é ficção. Ela não acreditaria. Não mais. 

 

Saudade…

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Ah a saudade… Sempre assim, acompanhada de reticência. Sem fim. Mata-se uma, quando possível, e logo vem outra.

Poetas, músicos, filósofos, tantos já tentaram explicá-la. E mesmo dentre os mais belos e inúmeros poemas, canções e teorias, nada é capaz de defini-la.

Sempre única, singular, não segue qualquer tipo de regras ou leis. Atinge qualquer um, todo mundo, como bem entender. Nunca é igual, pra ninguém, em nenhuma circunstância.

Das infinitas tentativas de resumi-la em uma frase, a minha favorita é a que diz “saudade é a nossa alma dizendo para onde quer voltar” (Rubem Alves).

E são tantos os lugares para onde queremos voltar, mesmo que alguns não sejam lugares em si. São lugares, mas também são pessoas, momentos, histórias. Abraços.

A saudade transforma tudo em algo mais.

Como o vento que já não sopra mais simples e descomplicado. Ele é cheiro, um perfume do passado. Sensações, uma mão bagunçando meu cabelo. Som, uma música do seu violão.

Como as palavras que se transformam em gatilhos disparando balas de recordações.

Saudade é um vazio cheio de lembranças, ou seriam lembranças espalhadas no vazio?

São memórias do que foi, repletas do desejo do que poderia ter sido.

É guardar dentro de si, no mais fundo do coração, o amor pelo que já não existe mais.

É querer tudo de mais lindo que já fez parte de nossa vida em um mesmo espaço e ao mesmo tempo. Aqui, agora.

É manter o passado constantemente no presente.

É lembrar de algo a partir do nada que existe no espaço antes ocupado tão vividamente.

Porque saudade é o desejo da união, do reencontro, da presença, mesmo que saudade seja, por definição, ausência, separação.

Incoerência.

Gratidão

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Tem um arquivo no bloco de notas do meu celular, de 10 de setembro, em que escrevi “A vida nunca acontece do jeito que a gente planeja. Ainda bem!”. Quando vi essa imagem no feed do Instagram, eu simplesmente comecei a rir, porque não havia ano mais ideal para a “brincadeira”. E eu repeti, para mim mesma, o “ainda bem” do final da minha nota no celular.

Para quem teve a vida sempre “sob controle”, ou assim eu pensava, um ano como 2015 me ensinou que a vida tem jeitos incríveis de nos surpreender, mas também aprendi que surpresa e planejamento raramente andam juntas. E quanta coisa boa aconteceu fora da linha reta do meu planejamento…e no caminho tortuoso desse ano completamente desalinhado, eu fiquei amiga íntima de uma palavrinha que andava meio ausente do meu dicionário.

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Eu poderia ter escolhido “gratidão” como minha palavra de 2015. Mas eu ainda não sabia tudo o que esse ano me proporcionaria. Vivi os maiores, melhores e mais importantes momentos da minha vida (até agora!) em 2015. Quantos sonhos concretizados e quantas coisas incríveis – que eu nem se quer podia imaginar – realizadas.

E é por tudo isso que sou grata: pelas experiências que vivi, pelos momentos incríveis, únicos e maravilhosos que nunca vão ser esquecidos, pelas pessoas que passaram pela minha vida – às que entraram e ficaram e àquelas que partiram – gratidão. Gratidão também pelos momentos difíceis que me ensinaram muita coisa diferente e que me deram o impulso para encarar novos desafios e vencer novas (e antigas) batalhas.

Gratidão, hoje e todo dia. Porque quando somos capazes de reconhecer e agradecer tudo aquilo que recebemos, atraímos ainda mais coisas boas para nossa vida e por consequência emitimos ainda mais luz de bem para tocar a vida de todos ao nosso redor.

Palavras

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Você me pediu palavras. Palavras espontâneas e bem alinhadas. Você queria palavras certeiras que contivessem em si o significado completo e exato daquilo que você queria ouvir.

Quantas palavras fiquei devendo, quantos erros de oratória cometi simplesmente por me atrapalhar toda ao tentar dizer em voz alta algo que não podia ser dito. Porque embora as palavras sejam o meu “negócio”, elas nem sempre são capazes de expressar tudo aquilo que se pensa e menos ainda o que se sente. Palavras omitem. Mentem.

Quantos silêncios não estão repletos de significado…Pequenos gestos silenciosos dizem muito mais do que um amontoado de palavras bem elaboradas.

Meu silêncio não bastou. Nem mesmo quando ele dizia muito mais do qualquer coisa que eu pudesse falar.

Não. Não há uma palavra para cada coisa que existe no mundo. Palavras não são suficientes. Certos sentimentos, certas sensações, certas emoções não cabem na junção de algumas letras.

Não há palavras que traduzam abraços, carinhos, beijos, olhares.

E por mais que você insista na sua teoria de um be-a-bá todo caprichado aprendido com mestres e doutores que usam da mais pura (e ininteligível) filosofia dos sábios imortais, não foram palavras ditas ou escritas que me ensinaram isso.

Foi um sorriso silencioso e sincero, colorido e iluminado como o sol num dia em que tudo estava cinza e chovia dentro de mim.