4 dicas para aprender um novo idioma sozinho

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Recentemente resolvi transformar o ócio em algo produtivo e comecei a aprender Francês. Sozinha, online e de graça. Com muito tempo, porém pouco dinheiro, resolvi usar recursos à disposição para estudar. E gente, nem só de redes sociais vive a internet! Tem TANTO site legal e confiável que disponibiliza aulas gratuitas sobre praticamente tudo ao nosso alcance, basta ter interesse, saber e ter paciência para pesquisar e ter dedicação para de fato aprender sozinho.

Como a minha experiência está sendo com o aprendizado de uma nova língua – da qual até então eu só conhecia duas palavras: bonjour e merci – vou deixar aqui 5 dicas para aprender um novo idioma que estão funcionando para mim.

1. Sites online e gratuitos

Como disse no comecinho do post, existem MUITOS sites legais e confiáveis à disposição. Com uma pesquisa mais refinada, você vai encontrar aquele que mais corresponde às suas expectativas. No meu caso, tenho utilizado três sites diferentes que têm funcionado muito bem comigo. Um é melhor para vocabulário, outro para gramática e um terceiro para exercícios. O mais bacana de todos é o Polly Lingual, que oferece aulas básicas e gratuitas de vários idiomas (e tem ainda a opção de aulas mais avançadas no plano pago). Ele é mais focado em vocabulário e pronuncia.

2. Música

Sou movida à música, e aprender um idioma com o auxílio de canções ajuda bastante a fixar. Depois de encontrar alguns artistas franceses que gostei, como Zaz e Joyce Jonathan (aceito dicas! rs), separei algumas músicas favoritas. Ouço, leio, vejo a tradução, faço as associações, canto junto e vou repetindo até a coisa fixar e eu saber não só a letra como também o que ela significa. Excelente para formar vocabulário e aprender pronuncia (fundamental principalmente em uma língua tão diferente da nossa como o Francês e tantas outras). Vale também vídeos no Youtube. Tem alguns bem legais para quem tá aprendendo um novo idioma.

3. Escrita

Qualquer que seja a língua, aprender a escrever é um passo mais complicado. Em Francês então, Jesus! rsrs Por isso praticar a escrita é fundamental. Vá praticando escrever as palavras que vai aprendendo, crie um sistema que funcione para você. Eu costumo escrever a palavra em português e depois, sem consulta, escrevê-la em Francês. Além de ajudar a memorizar o termo, vamos praticando a gramática.

4. Leitura

É óbvio que no começo vai ser difícil porque tudo o que você ler vai precisar de tradução. Mas com a prática as palavras vão ficando mais familiares, algumas delas você vai começar a deduzir antes mesmo de traduzir, e assim você vai aprendendo. Também acho a leitura muito útil para ir compreendendo a gramática e as estruturas das frases. Você vai prestando atenção em como elas são formadas e quando vê já consegue construir suas próprias frases. Assim, volte para o item “3- Escrita” e pratique 😉

Quero deixar claro que acho indispensável um aprendizado mais formal e aprofundado, com acompanhamento de um profissional. Mas para quem quer sair do nada para o básico, as dicas acima funcionam e muito. Mas também tem muito curso de responsa online, com temáticas e conteúdos mais diversos possíveis, que garantem certificados. Então antes de começar, dedique algum tempo a pesquisar as opções e crie uma rotina para se comprometer com o aprendizado.

Já se dispuseram a aprender algo novo sozinhos? Quais técnicas funcionam para vocês?

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4 Benefícios práticos da meditação

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A prática da meditação tem muitos benefícios cientificamente comprovados (vou deixar ao final do post três links que falam mais sobre o assunto para quem se interessar). Mas resolvi trazer aqui 4 dos benefícios que eu alcancei depois que comecei a meditar regularmente. Afinal, nada melhor do que a experiência para comprovarmos (ou não) as teorias.

Não preciso nem dizer que no começo não é fácil. Ficar 5 minutos parado parece uma eternidade e uma missão quase impossível. Mas com o hábito, a gente se acostuma, aumenta o tempo gradativamente e chega a um ponto em que sentimos falta da prática nos dias em que não a realizamos.

Comecei a meditar no final de 2015 e desde então não parei mais. Tive ao longo desse tempo alguns momentos que me faziam deixar a prática de lado, geralmente quando eu estava passando por alguma fase difícil. Justamente quando eu mais precisava parecia que era ainda mais complicado passar qualquer tempo, por mínimo que fosse, sentada, imóvel, em silêncio e concentrada. Eu ficava ainda mais irritada do que já estava, além de ansiosa com o tempo que “não acabava nunca”. Mas não desisti. Foi durante um desses períodos difíceis, no começo deste ano, que me dei conta de que precisava voltar a meditar com frequência. Estavam me fazendo falta aqueles momentos de conexão e silêncio (e seus benefícios) que se estendiam por todo o meu dia. O barulho na minha mente estava perturbador e eu sabia que a meditação iria ajudar.

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Eis então 4 (dentre outros) benefícios que alcancei com a prática regular de meditação:

1. Conexão comigo mesma

Um dos objetivos da meditação é entrarmos em contato com nós mesmos. Assim passei a me enxergar com mais clareza, aprendi a identificar minhas dificuldades e qualidades, respeitando meus limites, me respeitando. Com a meditação nos aproximamos da nossa verdade, identificamos nossos valores e crenças e passamos a agir de acordo com eles, vivendo uma vida mais significativa, com mais propósito.

2. Estar (mais) presente

Sou dessas que faz muita coisa no piloto automático, sem prestar atenção. Com a meditação, comecei a estar presente e me concentrar mais com cada atividade realizada e com os momentos vividos. Passamos a fazer as coisas com mais consciência. Vemos e sentimos o que estamos fazendo, realmente ouvimos o que os outros estão falando. Sabemos o que está acontecendo com nós, o que estamos sentindo. Afinal estamos realmente ali, completamente presentes sem embarcar nas viagens da mente que distraem e levam para longe do aqui e do agora.

3. Acalmar a mente

Meus pensamentos “falam” alto demais e o tempo todo, tumultuando a minha mente e me deixando estressada, irritada e até cansada mesmo sem fazer muita coisa. A meditação tem ajudado a silenciar esse barulho todo, possibilitando que eu tenha mais clareza e ordem em meus pensamentos, além de me sentir mais tranquila e relaxada. Isso acaba abrindo espaço na minha mente para coisas mais úteis, como, por exemplo, criatividade, atividades físicas, artísticas, dentre outras coisas.

4. Paciência

Acredito que esse item inclui outros dois benefícios: aceitação e respeito – com nós mesmos e com os outros. Aprendendo a focar na nossa respiração, acabamos nos acalmando e aprendemos a lidar melhor com as adversidades. Assim, nos tornamos mais pacientes, aceitamos melhor o que é diferente e o que não podemos controlar e com isso respeitamos essas diferenças. Ser paciente, sempre com o auxílio da respiração, ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse de situações que nos levariam a agir de cabeça quente e, consequentemente, cometermos erros e gerarmos mágoa para nós e para os demais envolvidos. 

Existem vários tipos de meditação. Já testei alguns, mas a que mais funciona para mim é a mindfulness guiada. Acredito que regra é experimentar até encontrar uma que funcione para você. Para me ajudar na prática diária, utilizo o aplicativo Calm (em inglês). Ele traz uma nova meditação por dia com um tema para reflexão e exercício, tem programas com séries de 7 e 21 dias com temáticas específicas e ainda tem meditações para dormir.

Lembre-se: alguns dias são mais difíceis que outros (e tudo bem!), mas a dedicação é recompensada diariamente.

Vou deixar aqui os links que falei com alguns conteúdos sobre os benefícios científicos da prática. Como meditar | Viver de Blog | Mundo Interpessoal 

Boa leitura e boa meditação!

Velha Infância

idosos baloesSentei na mesa ao lado de um casal de idosos no parque. Eles já estavam de saída. Ela levantou primeiro e, com palavras, fez uma brincadeira tão carinhosa com ele que foi quando comecei a prestar atenção ao casal. Não me lembro das palavras, mas pensei na hora que fossem “velhos” amigos. Ela ficou parada em pé o esperando e sorrindo ao observá-lo, enquanto ele colocou seu banquinho de plástico sobre um leve morrinho de grama logo atrás de si e começou a escorregar no banquinho e a rir. Eu comecei a rir junto e ele disse “Sabe o nome disso? Criancice. Não tem nada de senil. Todo mundo é criança. Isso é que faz a gente feliz”. E eu concordei. “É a criança dentro de nós que nos mantêm vivos e alegres.” Ele concordou, me desejou um bom final de semana e partiu, de mãos dadas com a senhora, sua esposa, que eu havia imaginado ser apenas uma amiga, os dois sorrindo, leves, em paz.

“As crianças, inconscientemente, sabem que a vida é coisa muito frágil, feito uma bolha de sabão. (…) Por isso, o que nos resta fazer é abraçar o que amamos enquanto a bolha não estoura.” (Rubem Alves)

Como é bom quando a idade não nos torna pessoas datadas, pensei. Quando reconhecemos que não importa o tanto de compromissos na agenda, a quantidade de cabelos brancos na cabeça, o número de rugas de preocupação que os anos depositaram em nossos rostos, ou a data em nosso RG, o que importa é não deixarmos a nossa criança interna morrer. Ela nos mostra que a vida é leve, o peso está em nossos olhos. Melhor ainda se ao nosso lado estiver um grande amigo, um grande amor, capaz de rir das nossas criancices, de brincar junto conosco e no fim darmos as mãos ao caminharmos juntos nossos passos lentos e arrastados pelo corpo desgastado das quedas de bicicleta, dos escorregões no quintal com sabão, dos tombos no chão depois de um ataque de coceguinhas…pela idade, que não deve jamais nos fazer esquecer que podemos – sim – sermos todos crianças.

Gratidão

2015 planejamento

Tem um arquivo no bloco de notas do meu celular, de 10 de setembro, em que escrevi “A vida nunca acontece do jeito que a gente planeja. Ainda bem!”. Quando vi essa imagem no feed do Instagram, eu simplesmente comecei a rir, porque não havia ano mais ideal para a “brincadeira”. E eu repeti, para mim mesma, o “ainda bem” do final da minha nota no celular.

Para quem teve a vida sempre “sob controle”, ou assim eu pensava, um ano como 2015 me ensinou que a vida tem jeitos incríveis de nos surpreender, mas também aprendi que surpresa e planejamento raramente andam juntas. E quanta coisa boa aconteceu fora da linha reta do meu planejamento…e no caminho tortuoso desse ano completamente desalinhado, eu fiquei amiga íntima de uma palavrinha que andava meio ausente do meu dicionário.

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Eu poderia ter escolhido “gratidão” como minha palavra de 2015. Mas eu ainda não sabia tudo o que esse ano me proporcionaria. Vivi os maiores, melhores e mais importantes momentos da minha vida (até agora!) em 2015. Quantos sonhos concretizados e quantas coisas incríveis – que eu nem se quer podia imaginar – realizadas.

E é por tudo isso que sou grata: pelas experiências que vivi, pelos momentos incríveis, únicos e maravilhosos que nunca vão ser esquecidos, pelas pessoas que passaram pela minha vida – às que entraram e ficaram e àquelas que partiram – gratidão. Gratidão também pelos momentos difíceis que me ensinaram muita coisa diferente e que me deram o impulso para encarar novos desafios e vencer novas (e antigas) batalhas.

Gratidão, hoje e todo dia. Porque quando somos capazes de reconhecer e agradecer tudo aquilo que recebemos, atraímos ainda mais coisas boas para nossa vida e por consequência emitimos ainda mais luz de bem para tocar a vida de todos ao nosso redor.

Amor em 24 línguas

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Já presenciei muita coisa aleatória bacana desde que cheguei a Nova York. Mas hoje, presenciei a mais incrível de todas, que me deixou com um sorriso no rosto o dia todo.

Estava dois graus lá fora, mas um dia lindíssimo de céu azul e muito sol. Então resolvi começar o dia no Central Park. Fiquei sentada por bastante tempo num banco apenas apreciando a paisagem e vendo as pessoas passarem. Depois de quase uma hora, decidi ir almoçar. Mas estava tão bom ali que pensei “só mais cinco minutinhos”. E foram nesses cinco minutinhos que um cara apareceu perguntando se eu falava alguma outra língua além do inglês. Respondi que falava português e ele me pediu um favor.

“Hoje é aniversário da minha namorada. Mas ela está na Europa e eu aqui. Então eu estou fazendo um vídeo pra mandar pra ela. Ela está fazendo 24 anos e estou gravando uma mensagem de parabéns em 24 línguas diferentes. Já tenho 18 e ainda não tenho português. Você se importa?”

“Feliz aniversário, Elma. Adele sente sua falta.” Gravei a mensagem e lá foi ele, todo empolgado, pedir a mesma coisa pro próximo estrangeiro que ele encontrou.

A mensagem era simples. Mas era óbvio o tamanho gigantesco daquele presente único e especial. Pensado com tanto carinho e amor. Talvez um dos mais incríveis que ela vai ganhar na vida. Foi também uma das declarações de amor mais lindas que já presenciei. A alegria dele fazendo aquele pedido inusitado para inúmeros estranhos era simplesmente contagiante.

E foi assim que um ser totalmente aleatório me mostrou que amar não é impedir que o outro vá, não é tentar prender o outro do seu lado. Amar é estar junto de quem se ama apesar de tudo, inclusive da distância.

Obrigada, Adele, por me fez entender um pouquinho mais sobre amor e por fazer do meu domingo ainda mais especial!

Q&A a day

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Depois de ver “Q&A a day” (365 perguntas, 5 anos, 1.825 respostas) em diversos blogs, não resisti e fui correndo atrás do meu.

Ele é um diário com duração de cinco anos. Com 365 perguntas, uma para cada dia do ano, e com cinco espaços por página, um para cada ano, que você preenche com a resposta à pergunta do dia e com o ano.

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Além de lindo, ele é viciante! Em menos de uma semana, já não conseguia mais ir para a cama antes de responder à pergunta do dia.

A graça e a proposta do diário está em, daqui um ano, ou em cinco, quando você for responder àquela pergunta novamente, você vai reler a resposta que deu um ano atrás e vai “ver” como você era, qual o efeito do tempo em você.

"Eles sempre dizem que o tempo muda as coisas,  mas, na verdade, você é quem tem que mudá-las." (Andy Warhol)

“Eles sempre dizem que o tempo muda as coisas,
mas, na verdade, você é quem tem que mudá-las.” (Andy Warhol)

Quantas vezes você lembra da resposta ao ser questionada sobre o que você estava fazendo há exatamente um ano? Difícil, né? Então, mais do que um livro de memórias, esse diário é também uma cápsula do tempo e nos convida a avaliar as mudanças pelas quais passamos ao longo dos anos, ou até mesmo nos mostra o quanto ficamos estagnados no mesmo ponto (o que já é um chacoalhão e tanto!).

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Seja com perguntas simples como “Qual foi a última vez que você andou de avião?”, ou com algumas mais complexas e reflexivas como “Quem é você?”, ou até com algumas questões físicas que nos remeterão no futuro ao lugar ao qual estávamos no passado como “Como é o local onde você está agora?”, “Q&A” é um convite a enxergarmos nosso presente, pensarmos no nosso futuro e analisarmos nosso passado.

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Para quem sempre gostou de fazer diários ou até mesmo para quem nunca foi muito de escrever sobre o seu dia a dia, “Q&A” traz uma proposta diferente e interessante para registrarmos nosso cotidiano.

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Onde comprar: Livraria CulturaAmazonBookDepository.

Vida que segue

vidaquesegueSaiu cedo de casa. Teve insônia a noite toda e já não aguentava mais ficar na cama. Eram 6h45. Muito cedo se considerasse que não tinha absolutamente nada para fazer o dia todo. Normalmente, neste horário, ela já começava a se preparar para enfrentar o trânsito da cidade grande rumo ao escritório onde trabalhava. Mas dois dias antes, tiraram dela a rotina.

No primeiro dia depois de ser dispensada – sem nenhum motivo aparente –, ficou completamente perdida. Havia passado a noite bebendo com os amigos que a levaram para distrair e chorar as mágoas (leia-se xingar os ex-patrões e alguns dos ex-colegas de trabalho até não se lembrar de nenhum palavrão que ainda não tivesse usado). Acordou assustada, às 11h30 do dia seguinte, com o telefone tocando. Não conseguiu atender. A cabeça doía e o corpo não saia do lugar. Mas deu um pulo, involuntário, quando viu o horário no rádio relógio que refletia no teto do quarto. Primeiro achou que tivesse perdido a hora, depois se lembrou de que já não tinha mais hora pra nada.

Ficou na cama até 14h23, quando o estômago roncou alto. Decidiu almoçar. Preparou um macarrão com molho pronto e salsicha e comeu até sentir que estava a um passo de passar mal. Pegou o controle remoto e ficou zapeando pelos canais da TV a cabo que teria por tempo limitado considerando o recente corte no orçamento. Em breve, teria que se contentar com os canais chatos da TV aberta. Acabou cochilando. Quando acordou já era quase 20 horas. Ligou para alguns amigos a fim de fazer uma segunda rodada de bebidas e xingamentos, mas ainda era terça-feira e ouviu não de todos, pois tinham que acordar cedo no dia seguinte para trabalhar.

Foi nesse momento que a tristeza apertou o peito com força e então derrubou as primeiras lágrimas. Enfiou-se debaixo do chuveiro quente e deixou a água correndo até que os olhos parassem de escorrer. Ficou ali por pelo menos uma hora. Sabia que era desperdício, mas naquele momento, não se importava. Resolveu ir para a cama acreditando que esse seria seu melhor remédio. Mas ao deitar antes das 22h30, ficou apenas vendo as horas passar.

6h45. Depois da insônia, enquanto caminhava, meio sem rumo, o celular no bolso de trás vibrou. Resolveu conferir, tomando cuidado, enquanto atravessava uma rua. Desempregada e atropelada seria demais. Viu que ainda fazia parte do grupo do trabalho no WhatsApp, então, não foi poupada de ler as mensagens de boas vindas que os ex-colegas davam à nova funcionária que, agora, ocupava seu lugar no escritório. Decidida, deixou o grupo mesmo sabendo dos murmurinhos que sua atitude causaria.

Continuou seguindo pelas ruas da cidade e enquanto ia, sem rumo, reparou na quantidade de vidas ao seu redor. O sol iluminava a manhã que começava. Os carros continuavam correndo para levar seus motoristas ao trabalho a tempo, os pontos de ônibus continuavam lotados, num café da esquina havia gente lendo o jornal com as notícias do dia, uma mãe levava o filho para a escola, gente séria, gente correndo, gente sorrindo como se nada tivesse acontecido há dois dias, com ela. Só então se deu conta de que não importava o tamanho de sua dor, angústia e sofrimento. A vida seguia sem dar tempo para que ela pudesse assimilar tudo o que havia acontecido.

Dois dias depois, havia outra em seu lugar. Tudo e todos seguiam o fluxo natural das coisas. E ela ainda caminhava, quase perdida, naquela que era sua cidade há muito tempo, esperando encontrar um botão de pause para que pudesse processar as informações necessárias antes de seguir em frente.