A voz da chuva

Foto: Maju Raz

Foto: Maju Raz

Eu me deito assim que começa a chover. Fico no escuro, em silêncio, mas não ouço a chuva cair.

Apenas alguns trovões, de vez em quando, chamam a minha atenção e me despertam do devaneio que me acomete.

Os pensamentos estão longe. No dia que passou, no dia que virá e naqueles que, talvez, nunca virão. Não há presente.

É raro chover e eu quero ouvir a chuva.

Eu tento me calar, mas percebo que não digo nada. Aliás, há muito tempo que nada é dito. Afinal, o que há pra dizer?

É tudo vazio. Um imenso vazio preenchido, dia e noite, por vozes involuntárias que não me deixam ouvir o silêncio. A chuva.

Como fazer essas vozes calarem?

Eu não quero lembrar, não quero planejar, não quero pensar.

como faço para que tudo no mundo pare, nem que seja apenas por alguns instantes, e apenas a chuva continue?

Quero saber o que acontece agora.

Psiu. Calem-se. Deixem-me ouvir a chuva.

2 comentários sobre “A voz da chuva

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