Os versos dos outros

os versos dos outros

 

Não consigo criar meus próprios versos. Não sou capaz de colocar no papel o que se passa aqui dentro. Pego uma folha em branco e isso é tudo que ela é, apenas uma folha em branco.

Por isso, uso os versos dos outros.

Choro, sorrio e me emociono com o que parece ter sido escrito para mim, sobre mim. Nunca por mim.

Os versos dos outros se encaixam perfeitamente. Combinam. São lindas sinfonias de palavras bem casadas descrevendo emoções bem sentidas.

Não faz sentido.

Como pode os outros saberem o que se passa aqui dentro enquanto eu não sou capaz?

Desconheço as palavras certas para dizer o quanto sofro, o quanto amo, o quanto sou feliz. Não quero que você saiba o que se passa aqui dentro. Não quero que ninguém saiba. Que ninguém me desvende. Que ninguém revele o mistério do que vive dentro de mim. Porque se eu não sei, se não entendo, não quero que ninguém mais o faça.

Mas, quando ler os versos dos outros, aqueles bem marcados na minha estante empoeirada, eles são tudo o que tenho pra dizer, tudo o que tenho sentido mesmo sem saber.

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