Liberdade

free yourself

 

Fechou os olhos.

Havia subido no topo do prédio mais alto da cidade. Privilégio para poucos.

Sentia o vento contra o rosto e junto com o vento uma sensação inexplicável de liberdade.

Abriu os braços e acreditou que poderia voar.

Os sons da cidade, carros e vozes eram apenas uma lembrança de quando estava lá em baixo.

Dali de cima, pouco se ouvia além de algumas aves que se atreviam a quebrar o silêncio libertador.

O cheiro era incomparável. Talvez fosse o mesmo de quando estava de frente para o mar. Cheiro de sal, água e sol. Mas não era bem isso.

Sentiu as pernas formigarem, as mãos também.

Cócegas lhe tomaram conta do corpo subindo da altura do umbigo até o peito.

Algo parou em sua garganta e a impediu de engolir.

O vento ficou mais forte e a impulsionou para frente.

Sentiu o corpo ganhar velocidade.

Sentiu que ia de encontro a tudo.

Carros, pessoas, prédios, chão.

Livre.

Abriu os olhos e seguiu em frente.

Deu uma rápida olhada na agenda e viu que ainda tinha três compromissos para aquele dia. Banco, um cliente e um horário no dentista. Pegou o carro no estacionamento, abriu as janelas e sentiu o vento.

Fechou os olhos.

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