Ser tudo. Nada. Não ser.

Foto: Rodrigo Martins

Foto: Rodrigo Martins

 

Eu vi um andarilho sorrir e fiquei com inveja.

Estranho, né, sentir inveja de alguém que não tem nada? Mas ai eu pensei que, às vezes, eu gostaria de não ter nada, de ser “ninguém”. Não ter um nome (minimamente) conhecido, não ter uma profissão, uma imagem para zelar, não ter obrigações, nem posses. Não ter.

Eu fiquei com inveja de ver que alguém que não tem nada sorria tão feliz, enquanto tanta gente com tudo o que quer, nem se lembra de mostrar os dentes brancos e bem tratados.

Estamos tão ocupado querendo ter mais, querendo ser mais, que esquecemos que quanto menos, melhor.

Eu vi um andarilho sorrir e naquele sorriso eu vi liberdade.

Eu vi um ir e vir sem limites, uma pessoa podendo ser o que ela quiser ser. Eu vi um Don Quixote brigando com moinhos de ventos e atravessando barreiras invisíveis a olhos nus.

Eu vi ali, naquele andarilho sujo, descabelado, de roupas rasgadas e pé no chão, tudo aquilo que às vezes eu gostaria de ser.

Mas então me lembrei que não podemos ser só “às vezes”.

Ser é ter que acordar todo dia e saber lidar com as consequências de quem você é.

Então, talvez, eu simplesmente queira não ser.

Nem uma coisa, nem outra. Nada.

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