Resenha: “O Tribunal das Almas” de Donato Carrisi

“- Às vezes, gostaríamos que a realidade fosse diferente. E se não podemos mudar as coisas, então pomo-nos a explicá-las à nossa maneira. Mas nem sempre conseguimos.” (p.38)

 


É extremamente difícil fazer resenha de um livro tão arrebatador e corro o risco de não falar nem metade do que o livro é e ser injusta com um autor que amo. Também corro o risco de falar mais do autor do que da obra, então vamos primeiro ao livro e depois ao meu entusiasmo.

Primeiro, eu amei o livro. No início fiquei com raiva porque não estava entendendo muito bem, estava meio confuso, porque inicialmente o livro narra mais de uma história e deixa a gente um pouco perdido. Mas, a partir do momento em que elas se cruzam (e o autor sabe fazer isso muito bem), tudo começa a fazer sentido e as coisas vão ficando mais claras para nós, leitores. Ou nem tão claras assim, levando em consideração que outra especialidade de Donato Carrisi é não nos deixar – nunca – saber quem é que tá falando a verdade, quem tá mentindo. O que eu acho sensacional. Ele nos faz desconfiar de todo mundo ao mesmo tempo que ele nos convence de que todos os culpados são inocentes. E no final, bem, ele sempre consegue fazer a gente pensar “putz (essa sou eu evitando palavrões aqui no blog), como foi que eu não percebi isso desde o começo?”.

Marcus é um misterioso investigador que perdeu a memória depois de ter sido ferido. Ele então é chamado por um suposto colega de trabalho para ajudar a desvendar o desaparecimento de uma jovem que sumiu de dentro de casa, aparentemente sem deixar vestígios que ajude a polícia a encontrá-la. Marcus então vai trabalhar paralelamente à polícia e no meio do caminho cruza com Sandra, uma fotógrafa da polícia científica que começa a investigar a morte precoce e misteriosa do seu marido. David, repórter investigativo, faleceu enquanto investigava algo secreto, o Tribunal das Almas, e por isso ninguém sabe ao certo o que aconteceu com ele. Seguindo as pistas que o marido deixou antes de morrer, Sandra sai em busca de desvendar a história que envolve sua viuvez precoce. Paralelamente, mas nem tanto, um assassino tem um enfarte, mas consegue chamar o resgate. A médica que o atende percebe que na casa do homem há um dos pés do patins da irmã dela que foi assassinada anos antes. A médica então tem a opção de deixá-lo morrer ou salvá-lo.

O entrelaçamento dessas histórias é tão incrível que no fim você fica de boca aberta e pasma (eu fiquei!) tentando entender como pode ser, como você pode deixar passar aqueles detalhes que faziam todo o sentido. Outro dom do autor é mexer com os nossos pensamentos e sentimentos. Ele faz com que sintamos coisas como se fossemos os personagens, ele nos coloca nas cenas como se fossemos parte da história.

Além de ser muito bem escrito (ponto positivo também para a editora portuguesa Porto), o livro é muito bem trabalhado e estudado, com detalhes incríveis que prendem o leitor mesmo apesar daquela confusão inicial. E pasmem, o Tribunal das Almas realmente existiu!

 

Infelizmente, o livro ainda não foi publicado no Brasil. Mas quem tiver a oportunidade de lê-lo, o faça! Enquanto isso, ficamos na torcida para alguma editora brasileira botar os olhos nele. Aproveito e deixo aqui, meu agradecimento especial ao João Ângelo Marques do blog Português Destante por ter me mandado o livro.

Em breve farei um texto pra colocar aqui no blog sobre minha paixão por Donato Carrisi.

Sinopse: Estava à tua procura. Encontrei-te. És a pessoa certa…Agora, mata!

Marcus é um homem sem passado. A sua especialidade: analisar as cenas de crime para reconhecer o Mal nos pequenos detalhes e solucionar homicídios aparentemente perfeitos. Há um ano, foi gravemente ferido e perdeu a memória. Hoje, é o único que poderá salvar uma jovem desaparecida.
Este peculiar investigador enfrenta, porém, um desafio ainda maior: alguém está a usar o arquivo criminal da Igreja para revelar a verdade sobre crimes nunca oficialmente resolvidos. Assassinos são colocados perante os familiares das vítimas. Será, passado tanto tempo, saciado o desejo de vingança? Passarão os inocentes a culpados? Ou será, finalmente, feita justiça?

Resenha publicada em Sociedade do Livro.

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