Resenha – “O Homem de Gelo” de Philip Carlo

 

Um pai dedicado, um marido fiel e o matador favorito da Máfia.

Em “O Homem de Gelo”, Phillip Carlo retrata com detalhes a história de Richard Kuklinski desde seu nascimento até sua morte.

O polonês que ficou conhecido como um dos assassinos mais famosos da história dos EUA (graças aos vários documentários da HBO sobre sua vida) tem em sua conta ao menos 200 assassinatos praticados das mais variadas formas. Ele matava com armas, facas, veneno, o que fosse, e se desfazia dos corpos das maneiras mais bizarras possíveis. Alguns, ele deixava caído no mesmo lugar em que a morte se dera, outros ele congelava, dava de comida aos ratos, esquartejava e guardava em barris, entre outros métodos nada sutis.

O mais curioso no livro e em toda a história de Richard é que por pior que ele seja (o Richard), você acaba criando uma simpatia pelo “Grandalhão”.

Acredito que isso não justifique suas ações, já que até mesmo o próprio Richard diz que não sabe o que as justifica, mas o autor se preocupa em contar alguns dos motivos que podem ter levado Richard a praticar tantos crimes.

Kuklinski teve uma infância difícil. Ele era motivo de piada por parte dos colegas e apanhava do pai. Durante essa fase, Richard perdeu um irmão que morreu depois de uma agressão do pai. Ele então começou a roubar para comer e aos poucos foi se envolvendo no mundo do crime e suas ações ilegais foram crescendo até que ele começou a roubar carros além de revistas com histórias de crimes reais que ele lia na marra, já que nunca foi um bom aluno e mal sabia ler.

Depois de anos aguentando piadas e chacotas, ele decidiu que era hora de parar com aquilo e foi assim que o “polaco” cometeu seu primeiro assassinato e sua primeira omissão de corpo. Assim, Richard começou a ganhar espaço e respeito, mesmo que ninguém soubesse que era dele a autoria dos crimes que começaram a aparecer.

“Eu nunca, nunca mais na minha vida vou permitir que alguém abuse de mim.” (p.45)

Richard então passa a cometer mais e mais crimes, ficando cada dia melhor no que ele faz (muitas vezes simplesmente por prazer) e se tornando um especialista em fazer isso de maneira que nunca ninguém nem suspeite dele. Com isso, o assassino profissional em que ele se torna começa a ficar conhecido pelas famílias de mafiosos que passam a contratá-lo para fazer grandes serviços em troca de muito dinheiro.

Ele se torna o favorito da Máfia até ficar rico com isso e conseguir sustentar (bem) sua família (que não faz nem ideia do monstro que ele é). Eis ai seu grande ponto fraco, sua família. Apesar das agressões à sua mulher, ele a ama mais que tudo e vai ser fiel a ela até o fim da vida. Ele também possui um amor incondicional pelos filhos que têm tudo do bom e do melhor, principalmente no que depender de Richard.

Aos poucos, o autor do livro vai mostrando como Richard vai crescendo e ganhando respeito no mundo do crime embora não possa ser incorporado a nenhuma família da Máfia por não ser italiano e a forma como ele vai se tornando um pouco daquilo que o pai dele era para ele, sua mãe e irmãos.

Por outro lado, o livro mostra também o descaso da polícia e de outras autoridades com as vítimas de Richard, principalmente aquelas que apareciam mortas no meio da rua do nada.

Foram anos de crimes em plena luz do dia – bastava um movimento errado no trânsito para que ele saísse de si e matasse o motorista do outro carro – impunes.

No fim, Richard acaba preso e acaba revelando, aos poucos, seus grandes feitos desde o primeiro até o último crime cometido.

Algumas cenas são extremamente fortes e ficam pior ainda se você tiver a consciência de que tudo aquilo que você está lendo realmente aconteceu.

O livro contado entre narrativas e declarações do próprio Richard, da sua família e de outras pessoas que participaram de alguma forma de sua vida faz a leitura fluir, o leitor se envolver e terminar o livro com seu próprio julgamento sobre Richard. Aliás, esse é um aspecto interessante de “O Homem de Gelo”. Em momento algum o autor faz algum julgamento de Richard. Percebemos com a leitura que os fatos são narrados sem juízo de valor.

 

Sinopse:  Esta é a biografia de Richard Leonard Kuklinski, que exerceu a profissão de matador de aluguel por quarenta e três anos, e executou mais de 200 pessoas sob a tutela da máfia de New Jersey. O homem de gelo – confissões de um matador da máfia é fruto de mais de 240 horas de entrevistas frente a frente com Kuklinski na Penitenciária Estadual de Trenton. As entrevistas foram realizadas pela rede de TV HBO, cujo documentário final recebeu diversos prêmios.

O autor Philip Carlo divide a obra em cinco capítulos e mostra como era a relação de Kuklinski com seus pais e irmãos, os primeiros trabalhos para a máfia, os assassinatos com requintes de crueldade, a profissão, a relação com seus filhos, esposa e, finalmente, a prisão.

Richard Kublinski recebeu o apelido de homem de gelo porque deixava algumas de suas vítimas em um congelador, retirando-as depois de alguns dias. Deste modo os investigadores não conseguiam precisar quando o crime havia sido cometido. Segundo a produtora da HBO, Gaby Monet, Kuklinski era um homem frio e totalmente desinteressado pelos sentimentos humanos, porém de uma sinceridade tremenda. Quando os chefões da emissora assistiram o trabalho de Gaby, ficaram extasiados. Qualquer espectador que o assistisse sentiria calafrios. Ele matava com revólveres, veneno, porretes, facas, usando os próprios punhos, chave de parafuso, picadores de gelo e até mesmo fogo. O documentário foi ao ar pela primeira vez em novembro de 1999 e da noite para o dia Richard se transformou em um superstar do crime.

Só para se ter uma idéia da frieza de Kuklinski, os mafiosos, sabendo de sua fama, o pagavam o dobro do valor combinado se ele fosse capaz de levar a vítima à morte com um alto grau de sofrimento. Certa vez, descobriu um modo de eliminar os corpos de suas vítimas: jogava-os em uma caverna infestada de ratos que devoravam o cadáver rapidamente, eliminando qualquer pista ou vestígio.

Mas qual seria a causa de tanta crueldade? O que aconteceu com Richard Kuklisnki para que ele viesse a se transformar no homem de gelo? Segundo o próprio assassino, se alguém contribuiu para isso, esse alguém foi seu pai. “Eu não culpo ninguém por nada, mas ele fez de mim uma pessoa perversa, disso eu tenho certeza”.

 

 

 

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